Programa encaminha mulheres vítimas de violência a entrevistas de emprego. Leia mais…

Programa encaminha mulheres vítimas de violência a entrevistas de emprego. Leia mais…

Objetivo é oferecer autonomia financeira à mulher e ajudá-la a romper ciclo de violência. Projeto envolve empresários, prefeitura e judiciário.

 

 

 

Um programa realizado em Canoas busca contribuir para a autonomia financeira de mulheres vítimas de violência. A iniciativa, intitulada “Por Mim”, encaminha essas mulheres para vagas em empresas do parque tecnológico da cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ter o próprio salário é uma condição para que muitas rompam o ciclo de violência.

O projeto envolve empresários, prefeitura e judiciário. A partir de agora, quando a Justiça identificar que a dependência econômica é um dos principais motivos que impedem a vítima de se afastar do agressor, além do atendimento tradicional, a mulher também vai receber a proposta de uma entrevista de emprego.

O primeiro passo é registrar uma ocorrência na delegacia. Somente nos primeiros seis meses de 2019, foram 3.597 ocorrências de violência doméstica.

“Nas audiências, todas as mulheres que em algum momento fizeram alguma denúncia, tinham medida protetiva. Elas simplesmente abandonam o atendimento, e a resposta era sempre: ‘Eu dependo financeiramente dele porque eu tenho filhos para criar. Como vão ficar os meus filhos?'”, explica a vice-prefeita de Canoas, Gisele Uequed.

Uma vítima, que não será identificada por questões de segurança, relata ter passado por essa situação. No caso dela, as agressões duraram tanto quanto o casamento: dez anos.

“Com soco, tapa na cara, às vezes, chute. Sempre foi assim. Às vezes, a gente fica presa naquela situação: ‘amanhã vai ficar tudo bem, vai passar’. E não passa.Pede perdão, diz que vai mudar, mas não muda”, diz a vítima.

Ela chegou a sair de casa, mas voltou porque não tinha como sustentar os filhos. “Voltei a morar, conviver com ele, porque eu não tinha para onde ir, fiquei desempregada, né? Não tinha para onde ir”, justifica.

Para quem consegue romper o ciclo da violência, é a esperança de retomar o caminho para a dignidade.

“Só preciso de uma oportunidade, um emprego e refazer a minha vida. Agora, eu estou com outra cabeça, não tem mais, não quero isso mais para a minha vida. Agora, é minha chance de viver a minha vida também, né? A vida dos meus filhos”, diz, esperançosa, outra vítima.

A expectativa, agora, é que mais empresários adotem o projeto. A vice-prefeita pede que quem puder oferecer vagas de emprego que possam se enquadrar na iniciativa, que coloquem à disposição.

“São mulheres que terão atendimento psicológico no Centro de Referência da Mulher, ou vão ter que se deslocar a uma audiência no Poder Judiciário, e precisam dentro do RH de uma atenção especial. Tudo de uma forma que não coloque ela em exposição, mas que proteja ela dentro da empresa, nesse momento difícil da vida dela”, acrescenta a vice-prefeita.

 

 

 

Fonte:G1 RS.

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